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FÉ - PORTÕES DA PRÁTICA BUDISTA (CHAGDUD TULKU RINPOCHE) Havia uma vez um velho pastor que a cada verão ia com a famí­lia ao alto de uma determinada montanha para criar seus carneiros e iaques. Muitas pessoas passavam pela tenda da família, e o pastor sempre perguntava-lhes para onde se dirigiam. Invariavelmente respondiam: “Vamos ver Dodrupchen Rinpoche e receber a transmis­ são direta dos três versos”. Em um verão, o velho decidiu que ele também iria ver o lama. Perguntou a uma família que passava se poderia se juntar a ela, e as pessoas concordaram que fosse junto. Assim ele partiu, deixando para trás todos os seus carneiros e iaques. Quando chegaram à casa do lama, o velho, sem saber o que fazer e nada tendo a pedir ao lama, dirigiu-se à cozinha, recebeu umpouco de comida e esperou por ali. Nesse ínterim, a família solici­tou e recebeu do lama um ensinamento curto e em seguida partiu de volta para casa. O velho ficou naquele lugar por três anos, ajudando na cozi­nha em troca ...
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UM MITO ORGOTA DA CRIAÇÃO (A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO - URSULA LEGUIN) As origens deste mito são pré-históricas; já foi registrado de diversas formas. Esta versão, bastante primitiva, vem de um tempo pré Yomesh encontrado no santuário da Caverna de Isenpeth, no interior de Gobrin. No princípio não havia nada, senão gelo e o Sol. Por muitos anos o Sol brilhou e derreteu uma grande fenda no gelo. Nas laterais desta fenda havia grandes formas de gelo, e não havia fundo. Gotas de água derreteram das formas de gelo nas laterais dos abismos e caíram lá embaixo. Uma das formas de gelo disse: “Eu sangro”. Outra forma de gelo disse: “Eu choro”. Uma terceira disse: “Eu transpiro”. As formas de gelo subiram pelo abismo, escalando até chegarem à planície de gelo. Aquele que disse “Eu sangro” estendeu os braços para o sol e puxou punhados de excremento das entranhas do sol, e com ele criou as montanhas e os vales da terra. Aquele que disse “Eu choro” soprou sobre o gelo e o derreteu, criando...

Das cátedras da virtude - Assim Falou Zaratustra - Nietzsche

Louvaram para Zaratustra um sábio que falaria muito bem do sono e da virtude: por isso era bastante reverenciado e recompensado, diziam, e todos os jovens se sentavam perante sua cátedra. Foi até ele Zaratustra, e com todos os jovens se sentou perante sua cátedra. E assim falou o sábio:     Respeito e pudor ante o sono! Isso em primeiro lugar! E evitar todos aqueles que dormem mal e passam a noite acordados!     Mesmo o ladrão tem pudor diante do sono: sempre anda furtivamente pela noite. Sem pudor no entanto, é o guarda noturno, que despudoradamente carrega sua corneta.     Não é arte pequena dormir: requer passar o dia inteiro acordado.     Dez vezes é preciso superar-se durante o dia: isso gera um bom cansaço e é papoula para a alma.     Dez vezes é preciso reconciliar-te contigo mesmo; pois superação é amargura, e dorme mal o não reconciliado.     Dez verdades tem de achar durante o dia:  ...

Como era verde meu vale - Richard Llewellyn

Cap XIII (...)    — Elas não tinham nada, mamãe — disse Angharad, sem nenhum sinal de medo. — Os patrões puseram-na para fora da casa sem nada. Nem um graveto, nem um farrapo. E o novo bebê deve vir hoje. Só tem palha para deitar-se em cima. E as sete outras crianças.     — Psiu, agora — disse minha mãe. — Já sei bastante. Vou ver isso. Mas não me faça mais dessas pelas minhas costas, de dar lençóis e cobertores. A dona da casa sou eu.     — Sim, mamãe — disse Angharad, piscando os olhos para mim, e eu para ela.     — Suponho — disse minha mãe, como se seu pensamento estivesse para lá da montanha — que nada mais saiu em companhia dos lençóis e cobertores, não é? Seria realmente exigir muito da Sr tá. Angharad Morgan?     — Pois bem, mamãe — disse Angharad, tão bonita, de se ficar de boca aberta —, havia também algumas marmitas e panelas velhas, lá fora.     — Adiante — disse mamãe. — Marmitas e ...