FÉ - PORTÕES DA PRÁTICA BUDISTA (CHAGDUD TULKU RINPOCHE)
Havia uma vez um velho pastor que a cada verão ia com a família ao alto de uma determinada montanha para criar seus carneiros e iaques. Muitas pessoas passavam pela tenda da família, e o pastor sempre perguntava-lhes para onde se dirigiam. Invariavelmente respondiam: “Vamos ver Dodrupchen Rinpoche e receber a transmis são direta dos três versos”.
Em um verão, o velho decidiu que ele também iria ver o lama.
Perguntou a uma família que passava se poderia se juntar a ela, e as pessoas concordaram que fosse junto. Assim ele partiu, deixando para trás todos os seus carneiros e iaques.
Quando chegaram à casa do lama, o velho, sem saber o que fazer e nada tendo a pedir ao lama, dirigiu-se à cozinha, recebeu umpouco de comida e esperou por ali. Nesse ínterim, a família solicitou e recebeu do lama um ensinamento curto e em seguida partiu de volta para casa.
O velho ficou naquele lugar por três anos, ajudando na cozinha em troca de comida, tornando-se como que um membro da família dos que ali trabalhavam. Durante todo esse tempo, ele nunca se encontrou com o lama.
Um dia, os cozinheiros pediram ao velho que levasse chá ao lama. Pela primeira vez ele entrou na sala do mestre. Quando o lama o viu, exclamou:
— Atsi! Atsi! Na ka ru rakshe treng ua dra shigyin! — que quer dizer: “Minha nossa! Minha nossa! Seu nariz é como uma semente de rudrakshal”.
De fato, o nariz do velho era muito grande e rugoso. O velho pensou consigo: “Então é isso. Finalmente recebi do lama a transmissão dos três versos!”
Ele retornou à sua aldeia, entoando dia e noite “Atsi! Atsi! Naka ru rakshe treng ua dra shigyin”, contando as recitações em seu rosário. As pessoas da aldeia passaram a ter grande fé nele porque, afinal de contas, havia ficado com o lama por três anos. Elas imaginavamque ele, agora, seguramente deveria ter qualidades extraordinárias.
Sempre que ficavam doentes, tinham alguma dor ou inchação, iam encontrar-se com ele. O velho assoprava sobre a parte afetada, e elas saravam. Ele se tornou bem famoso por toda a região.
Certo dia, nasceu no pescoço de Dodrupchen Rinpoche um furúnculo que cresceu tanto que quase o sufocava. Muitos médicos tentaram tratá-lo, mas nada se mostrava eficaz. Uma pessoa que estava de visita, vindo da região do velho,disse ao lama:
— Um de seus alunos mora perto de nós. Ele pode curá-lo.
— Quem é ele? — perguntou o lama.
— Um velho que passou três anos com o senhor.
— Não me lembro dele, mas diga-lhe que venha me ajudar.
Imediatamente alguém foi enviado para buscar o velho.
— Você tem de vir agora mesmo — disseram-lhe — o lama está precisando de ajuda.
O velho disse:
— O lama me deu a transmissão dos três versos. Eu vou tentar ajudá-lo.
Antes que o velho chegasse, uma almofada muito bonita foi disposta para ele se sentar, um sinal de grande respeito. Assim que ele entrou no aposento, o lama viu o nariz e se lembrou do velho, pensando: “Como é que esse aí vai poder me curar?”
Lentamente, com concentração unidirecional, o velho começou a entoar “Atsi, atsi...” O lama caiu na gargalhada, o ftirúnculo estourou, e ele sarou.
Existem livros triviais, boa parte deles as pessoas desistem de ler logo. alguns podem ser interessantes mas seríamos incapazes de ler de novo. E há aqueles que deixam uma marca na sua alma e que nunca deixariam de ensinar algo novo a quem lê uma vez mais. Esse blog pretende acima de tudo dar boas sugestões de livros a serem lidos, propagandeando-os através de fragmentos.
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